{"status":200,"response":{"result":"RELATED_ARTICLES_RETRIEVED","data":[{"id":"61dc86dd0b94d57c2e8d4ef3","updated":"2022-02-21T11:00:00.509Z","created":"2022-01-10T19:19:57.043Z","statuses":{"approval_status":"approved","publish_status":"published","visibility_status":"public","has_pending_changes":false,"is_pinned":false,"is_paywall_disabled":false,"scheduled_date":"2022-02-21T11:00:00.494Z","rejection_reason":null},"metadata":{"location":"home","location_slug":"blog","content_type":"post","publish_date":"2022-02-21T11:00:00.509Z","likes_count":0,"bookmarks_count":0,"comments_count":0,"score":"2022-02-21T11:00:00.509Z","sharing_title":"Como trabalhar a educação socioemocional na sala de aula?","sharing_description":null,"sharing_image":"https://602b0a49a74b651d2ab0f827.redesign.static-01.com/f/images/2b00784079a58b4fdeafdde093306f2988cfd0a7.png","tag_ids":["60d7412a3fa6d40eb0c297d2","61dc86dd0b94d57c2e8d4ef0","61dc86dd0b94d57c2e8d4ef1","61dc86dd0b94d57c2e8d4ef2","60f0b1851e420261cb97d591"],"author_user_id":"602c0ac8c95562223a93b904","moderator_user_id":null,"project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827","course_id":null,"course_module_id":null,"group_id":null,"version":1,"tags":[{"id":"60d7412a3fa6d40eb0c297d2","title":"Socioemocional","slug":"socioemocional","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"},{"id":"60f0b1851e420261cb97d591","title":"pedagogia","slug":"pedagogia","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"},{"id":"61dc86dd0b94d57c2e8d4ef1","title":"habilidades socioemocionais","slug":"habilidades-socioemocionais","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"},{"id":"61dc86dd0b94d57c2e8d4ef0","title":"educacao socioemocional","slug":"educacao-socioemocional","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"},{"id":"61dc86dd0b94d57c2e8d4ef2","title":"competencias socioemocionais","slug":"competencias-socioemocionais","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"}]},"content":{"title":"Como trabalhar a educação socioemocional na sala de aula?","slug":"como-trabalhar-a-educacao-socioemocional-na-sala-de-aula","cover_image":"https://602b0a49a74b651d2ab0f827.redesign.static-01.com/l/images/2b00784079a58b4fdeafdde093306f2988cfd0a7.png","headline":"Entre os profissionais da Educação, há um consenso de que o processo educativo deve ir além de conteúdo conceituais e armazenamento de informações por parte dos alunos. Por mais que o modelo","main_content":"

Entre os profissionais da Educação, há um consenso de que o processo educativo deve ir além de conteúdo conceituais e armazenamento de informações por parte dos alunos. Por mais que o modelo tradicional (chamado de bancário por Paulo Freire) ainda seja predominante em algumas escolas, é inegável que existem outros aprendizados importantes além da teoria.

Autores e pensadores, no final do século passado, ampliaram a discussão sobre os múltiplos tipos de inteligência. Seguindo esta linha, o livro “Inteligência Emocional” de Daniel Goleman foi pioneiro no estudo dos efeitos das emoções na aprendizagem. Trata da capacidade de trabalhar as emoções de maneira individual e coletiva, afetando também a inteligência cognitiva.

O conceito de inteligência emocional fundamenta o desenvolvimento das chamadas habilidades socioemocionais, cada vez ganhando mais espaço e importância dentro dos processos pedagógicos. Neste texto, vou apresentar a educação socioemocional e indicar caminhos para a sua aplicação.

 

A educação socioemocional

O objetivo da educação socioemocional é desenvolver nos alunos a capacidade de lidar com as suas emoções, que sejam capazes de criar relações sociais positivas e tenham responsabilidade na resolução de problemas. A empatia, a criatividade e o pensamento crítico são algumas das habilidades trabalhadas, para permitir aos estudantes entenderem a si próprios e às outras pessoas.

No ambiente escolar, o desenvolvimento dessas habilidades deve ter a mesma importância do ensino dos conteúdos curriculares. Os benefícios são fortalecer a confiança, resiliência, organização e foco dos educandos, auxiliando na permanência escolar e na construção das relações interpessoais.

Os professores e gestores escolares também precisam aprender a lidar com suas emoções, reflexão nem sempre comum entre os adultos. A busca por materiais e formação sobre este tema cresceu bastante na última década. Esta mudança também pôde ser vista no texto da BNCC, criada em 2018.

 

O que diz a BNCC?

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi criada em 2018 pelo MEC e implantada em 2020 nas escolas, como diretriz para os currículos das redes de ensino públicas e privadas. O documento estabelece como fundamentos pedagógicos o desenvolvimento de competências e a educação integral.

Assim, há a necessidade de trabalhar as competências com caráter socioemocional em sala de aula, como podemos encontrar claramente em três das 10 competências gerais da BNCC, são elas:

Já a educação integral propõe uma educação voltada para o acolhimento, reconhecimento e desenvolvimento pleno do estudante na sua singularidade como indivíduo, promovendo no ambiente escolar o respeito às diferenças e diversidades, aliando o aspecto emocional e o cognitivo.

O cenário nacional da educação exige a atenção das escolas e educadores para as competências socioemocionais e a implantação da BNCC é o grande incentivo para que as mudanças necessárias sejam abraçadas.

 

O desenvolvimento de habilidades socioemocionais

No artigo “O desenvolvimento das habilidades socioemocionais como caminho para a aprendizagem e o sucesso escolar de alunos da educação básica”, a psicóloga Anita Abed fala sobre cinco grandes domínios em relação às habilidades socioemocionais, chamados “Big 5”.

  1. Abertura a experiências: estar disposto e interessado pelas experiências – curiosidade, imaginação, criatividade, prazer pelo aprender
  2. Conscienciosidade: ser organizado, esforçado e responsável pela própria aprendizagem – perseverança, autonomia, auto regulação, controle da impulsividade
  3. Extroversão: orientar os interesses e energia para o mundo exterior – autoconfiança, sociabilidade, entusiasmo
  4. Amabilidade-Cooperatividade: atuar em grupo de forma cooperativa e colaborativa – tolerância, simpatia, altruísmo
  5. Estabilidade emocional: demonstrar previsibilidade e consistência nas reações emocionais – autocontrole, calma, serenidade
    (ABED, 2016)

Conhecer estes domínios das habilidades socioemocionais, permite aos professores refletirem sobre as suas práticas em sala de aula e servir de base teórica para planejar as atividades pedagógicas voltadas para o seu desenvolvimento.

É essencial o apoio das escolas e a dedicação do corpo docente para a formação nestes novos conceitos e nas formas de aplicá-los de maneira efetiva nas práticas educacionais. Assim, será possível atender às diretrizes da BNCC e, principalmente, formar indivíduos mais preparados para conviver em sociedade de maneira saudável e responsável.

 

Referências para aprofundamento

 

Este texto foi publicado originalmente no blog da Layers Education

","external_link":null,"list_items":[],"recipe":{"portions":"","total_time":"","description":"","ingredients":[],"stages":[],"nutritional_information":""},"word_count":769,"read_time":5},"content_draft":{"title":"Como trabalhar a educação socioemocional na sala de aula?","slug":"como-trabalhar-a-educacao-socioemocional-na-sala-de-aula","cover_image":"https://602b0a49a74b651d2ab0f827.redesign.static-01.com/l/images/2b00784079a58b4fdeafdde093306f2988cfd0a7.png","main_content":"

Entre os profissionais da Educação, há um consenso de que o processo educativo deve ir além de conteúdo conceituais e armazenamento de informações por parte dos alunos. Por mais que o modelo tradicional (chamado de bancário por Paulo Freire) ainda seja predominante em algumas escolas, é inegável que existem outros aprendizados importantes além da teoria.

Autores e pensadores, no final do século passado, ampliaram a discussão sobre os múltiplos tipos de inteligência. Seguindo esta linha, o livro “Inteligência Emocional” de Daniel Goleman foi pioneiro no estudo dos efeitos das emoções na aprendizagem. Trata da capacidade de trabalhar as emoções de maneira individual e coletiva, afetando também a inteligência cognitiva.

O conceito de inteligência emocional fundamenta o desenvolvimento das chamadas habilidades socioemocionais, cada vez ganhando mais espaço e importância dentro dos processos pedagógicos. Neste texto, vou apresentar a educação socioemocional e indicar caminhos para a sua aplicação.

 

A educação socioemocional

O objetivo da educação socioemocional é desenvolver nos alunos a capacidade de lidar com as suas emoções, que sejam capazes de criar relações sociais positivas e tenham responsabilidade na resolução de problemas. A empatia, a criatividade e o pensamento crítico são algumas das habilidades trabalhadas, para permitir aos estudantes entenderem a si próprios e às outras pessoas.

No ambiente escolar, o desenvolvimento dessas habilidades deve ter a mesma importância do ensino dos conteúdos curriculares. Os benefícios são fortalecer a confiança, resiliência, organização e foco dos educandos, auxiliando na permanência escolar e na construção das relações interpessoais.

Os professores e gestores escolares também precisam aprender a lidar com suas emoções, reflexão nem sempre comum entre os adultos. A busca por materiais e formação sobre este tema cresceu bastante na última década. Esta mudança também pôde ser vista no texto da BNCC, criada em 2018.

 

O que diz a BNCC?

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi criada em 2018 pelo MEC e implantada em 2020 nas escolas, como diretriz para os currículos das redes de ensino públicas e privadas. O documento estabelece como fundamentos pedagógicos o desenvolvimento de competências e a educação integral.

Assim, há a necessidade de trabalhar as competências com caráter socioemocional em sala de aula, como podemos encontrar claramente em três das 10 competências gerais da BNCC, são elas:

Já a educação integral propõe uma educação voltada para o acolhimento, reconhecimento e desenvolvimento pleno do estudante na sua singularidade como indivíduo, promovendo no ambiente escolar o respeito às diferenças e diversidades, aliando o aspecto emocional e o cognitivo.

O cenário nacional da educação exige a atenção das escolas e educadores para as competências socioemocionais e a implantação da BNCC é o grande incentivo para que as mudanças necessárias sejam abraçadas.

 

O desenvolvimento de habilidades socioemocionais

No artigo “O desenvolvimento das habilidades socioemocionais como caminho para a aprendizagem e o sucesso escolar de alunos da educação básica”, a psicóloga Anita Abed fala sobre cinco grandes domínios em relação às habilidades socioemocionais, chamados “Big 5”.

  1. Abertura a experiências: estar disposto e interessado pelas experiências – curiosidade, imaginação, criatividade, prazer pelo aprender
  2. Conscienciosidade: ser organizado, esforçado e responsável pela própria aprendizagem – perseverança, autonomia, auto regulação, controle da impulsividade
  3. Extroversão: orientar os interesses e energia para o mundo exterior – autoconfiança, sociabilidade, entusiasmo
  4. Amabilidade-Cooperatividade: atuar em grupo de forma cooperativa e colaborativa – tolerância, simpatia, altruísmo
  5. Estabilidade emocional: demonstrar previsibilidade e consistência nas reações emocionais – autocontrole, calma, serenidade
    (ABED, 2016)

Conhecer estes domínios das habilidades socioemocionais, permite aos professores refletirem sobre as suas práticas em sala de aula e servir de base teórica para planejar as atividades pedagógicas voltadas para o seu desenvolvimento.

É essencial o apoio das escolas e a dedicação do corpo docente para a formação nestes novos conceitos e nas formas de aplicá-los de maneira efetiva nas práticas educacionais. Assim, será possível atender às diretrizes da BNCC e, principalmente, formar indivíduos mais preparados para conviver em sociedade de maneira saudável e responsável.

 

Referências para aprofundamento

 

Este texto foi publicado originalmente no blog da Layers Education

","read_time":5},"author":{"id":"602c0ac8c95562223a93b904","name":"Henrique Uyeda do Amaral","image":"https://users.redesign.static-01.com/602c0ac8c95562223a93b904/s/images/10a79cfc5ea4d15cbc2020457dc034f9846adf47.jpg","slug":"henriqueuyeda","bio":"Henrique Uyeda do Amaral é escritor e educomunicador. Um dos criadores da base educom. Licenciado em Educom na ECA-USP. Especialista em educação e tecnologia, já atuou como educador, formador de professores, autor de material didático e mais.","job":"Educomunicador","company":"base educom"}},{"id":"617761a636b0fb342377c53d","updated":"2024-03-16T14:29:41.892Z","created":"2021-10-26T02:02:13.734Z","statuses":{"approval_status":"approved","publish_status":"published","visibility_status":"public","has_pending_changes":false,"is_pinned":false,"is_paywall_disabled":false,"scheduled_date":null,"rejection_reason":null,"created_on":"2024-03-14T18:48:11.887Z","updated_on":null},"metadata":{"location":"home","location_slug":"blog","content_type":"post","publish_date":"2021-10-26T02:02:14.032Z","likes_count":0,"comments_count":0,"bookmarks_count":2,"shares_count":4,"score":"2021-10-26T02:02:14.032Z","sharing_title":"Escola justa: combatendo as desigualdades com Educação","sharing_description":null,"sharing_image":"https://602b0a49a74b651d2ab0f827.redesign.static-01.com/f/images/82680d291c3f94558e05d584588e6a5d5b22336e.png","tag_ids":["617761a536b0fb342377c53b","617761a536b0fb342377c53c","617761a536b0fb342377c539","60d7412a3fa6d40eb0c297d3","617761a536b0fb342377c53a"],"author_user_id":"602c0ac8c95562223a93b904","moderator_user_id":null,"original_author_user_id":null,"project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827","course_id":null,"course_module_id":null,"group_id":null,"version":1,"created_on":"2024-03-14T18:48:11.887Z","updated_on":null,"tags":[{"id":"617761a536b0fb342377c53b","title":"desigualdade","slug":"desigualdade","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"},{"id":"617761a536b0fb342377c53c","title":"educacao e desigualdade","slug":"educacao-e-desigualdade","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"},{"id":"60d7412a3fa6d40eb0c297d3","title":"Educacao social","slug":"educacao-social","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"},{"id":"617761a536b0fb342377c539","title":"educacao justa","slug":"educacao-justa","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"},{"id":"617761a536b0fb342377c53a","title":"escola justa","slug":"escola-justa","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"}]},"content":{"title":"Escola justa, por François Dubet: combatendo as desigualdades com Educação","slug":"escola-justa-combatendo-as-desigualdades-com-educacao","cover_image":"https://602b0a49a74b651d2ab0f827.redesign.static-01.com/l/images/82680d291c3f94558e05d584588e6a5d5b22336e.png","cover_image_alt_text":null,"headline":"Quando se ouve falar em justiça, é natural entender o conceito como a igualdade de direitos e oportunidades entre as pessoas. Um lugar justo é aquele onde os direitos dos indivíduos","preview_content":"

Quando se ouve falar em justiça, é natural entender o conceito como a igualdade de direitos e oportunidades entre as pessoas.  Um lugar justo é aquele onde os direitos dos indivíduos

","main_content":"

Quando se ouve falar em justiça, é natural entender o conceito como a igualdade de direitos e oportunidades entre as pessoas. Um lugar justo é aquele onde os direitos dos indivíduos são respeitados e os deveres cumpridos, onde as oportunidades são iguais para todos e as condições para buscá-las são acessíveis para qualquer um.

Não é difícil perceber que, neste entendimento, o Brasil não pode ser considerado um país justo, a igualdade social está longe de ser alcançada. Os indicadores sociais obtidos por organizações nacionais (IBGE) e internacionais (PNUD) mostram um cenário de grande desigualdade social no Brasil. Não se resume apenas à questão financeira, na qual a distribuição de riqueza é bastante desproporcional, mas também às questões racial e de gênero.

A Educação tem papel essencial para o combate às desigualdades, por isso é um dos fatores utilizados para o cálculo do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Em um país desigual como o Brasil e com um sistema educacional público abrangente (mais de 35 milhões de alunos), a discussão sobre os fatores que promovem a justiça escolar é essencial para alunos, professores, cidadãos e governantes.

Neste texto, vou falar sobre o artigo “O que é uma escola justa?” do sociólogo François Dubet (2004), no qual aponta diferentes entendimentos de promoção da justiça escolar, apresentando dilemas, limitações e paradoxos acerca das visões mais comuns.

 

Aspectos da justiça escolar

“A priori, o desejo de justiça escolar é indiscutível, mas a definição do que seria uma escola justa é das mais complexas, ou mesmo das mais ambíguas, pois podemos definir justiça de diferentes maneiras.” (DUBET, 2004, p.540).

De acordo com Dubet, existem concepções válidas de justiça escolar que podem ser contraditórias entre si, portanto o caminho para tornar uma escola justa é permeado por escolhas que combinam valores e aspectos de cada visão. O autor apresenta as seguintes definições para os possíveis objetivos de uma escola justa:

 

A meritocracia na escola

Dubet coloca a meritocracia como um princípio que promove a justiça escolar, em um sistema ideal, oferecendo a todos os alunos as mesmas oportunidades no ensino, em termos de acesso e de qualidade de conteúdo. O questionamento do autor diz respeito à incapacidade da escola de instaurar uma meritocracia plena isolando as desigualdades sociais externas a ela, por exemplo, as questões econômicas, raciais, de gênero, estrutura familiar e, até mesmo, participação dos pais na educação dos filhos.

“O modelo meritocrático está longe, portanto, de sua realização; a competição não é perfeitamente justa. Em uma palavra: quanto mais favorecido o meio do qual o aluno se origina, maior sua probabilidade de ser um bom aluno, quanto mais ele for um bom aluno, maior será sua possibilidade de aceder a uma educação melhor, mais diplomas ele obterá e mais ele será favorecido.” (DUBET, 2004, p.543).

É importante ressaltar que a análise de Dubet é feita tendo como base o sistema educacional francês, que já passou por transformações no sentido de tornar menos desiguais o acesso às escolas. No caso brasileiro, a situação é muito pior, pois existe uma grande diferença de qualidade entre o ensino público e o privado.

Outra questão problemática do modelo meritocrático é a responsabilidade colocada totalmente nos estudantes pelo seu desempenho escolar, o que resulta em perda da auto-estima nos casos de fracasso. Essa situação pode gerar uma maior desigualdade entre os alunos de bom desempenho e aqueles menos bons, a tendência da meritocracia é ter mais perdedores do que vencedores.

Analisando de forma mais profunda, é possível questionar o que é o mérito, quem define os critérios de seleção e se estes podem ser mensurados de forma objetiva, sabe-se que os valores em uma sociedade são determinados pela ideologia dominante.


\n\n

Desigualdade gera desigualdade

O autor ainda escreve sobre o efeito negativo que a desigualdade escolar pode ter em outras formas de desigualdade social, propiciando a sua manutenção ou até mesmo ampliação. Portanto, uma escola justa deve se preocupar em evitar isso.

“A escola cria suas próprias desigualdades, a economia cria suas próprias desigualdades, a cultura cria suas desigualdades, a política cria suas desigualdades… As desigualdades de cada um desses domínios podem e precisam ser combatidas. Mas há desigualdade e injustiça novas quando as desigualdades produzidas por uma esfera de justiça provocam automaticamente desigualdades em outra esfera. Assim, desigualdades de renda causam desigualdades na esfera da escola, da cultura, da política, da saúde e também da beleza.” (DUBET, 2004, p.549-550).

\n

Como tornar a escola mais justa

A sugestão de Dubet para minimizar os efeitos das desigualdades sociais é criar um modelo de discriminação positiva, que proponha mecanismos compensatórios, como “estudos dirigidos, atividades esportivas e culturais, estabilidade e qualidade das equipes educacionais, preparação específica para concursos e exames”.

Outra medida proposta é o oferecimento de conhecimento mínimo como um aspecto importante para a escola justa, com objetivo de evitar uma exclusão total dos alunos mais fracos, em uma lógica semelhante à política de salário mínimo.

Torna-se crítica a definição do que seria o nível mínimo, já que um ponto muito baixo pode ser insuficiente para garantir aos menos favorecidos condições de melhorar sua situação e um grau muito alto, buscando excelência, pode resultar em abandono daqueles alunos que não conseguirem acompanhar as exigências.

Dubet indica que uma escola justa deve se preocupar de maneira especial em garantir um bom tratamento aos alunos que não obtiverem o sucesso de desempenho na competição meritocrática, normalmente marginalizados com a visão de serem responsáveis pelo seu mau resultado escolar.

Para isso, propõe duas ações: revalorizar os cursos técnicos e profissionais, relacionando-os com os gostos e talentos dos alunos; entender o papel educativo da escola como algo além da instrução “técnica”, envolvendo os alunos em outras atividades pedagógicas, culturais e esportivas.

A questão da integração dos jovens ao mercado de trabalho se contrapõe ao aspecto de incentivar a escolha de caminhos por interesses. É importante que o diploma obtido após um ciclo de ensino aumente as chances de “sucesso” no mundo profissional, grande expectativa dos alunos e de seus pais para com a escola. Essa questão cria uma competição entre as instituições de ensino e, por consequência, estabelece condições desiguais de acesso.

Por outro lado, podemos imaginar que uma escola justa permite aos jovens escolher seus caminhos de acordo com seus talentos, paixões e afinidades. É necessário o equilíbrio, pois, se este for o único critério, há o risco desses indivíduos fracassarem no momento de conseguir emprego.


Este texto foi publicado originalmente no blog da Layers Education

 

","word_count":1081,"list_items":[],"recipe":{"portions":"","total_time":"","description":"","image_one_one":null,"image_sixteen_nine":null,"stages":[],"ingredients":[],"created_on":"2024-03-14T18:48:11.888Z","updated_on":null},"external_link":null,"created_on":"2024-03-14T18:48:11.887Z","updated_on":null,"read_time":7},"content_draft":{"title":"Escola justa, por François Dubet: combatendo as desigualdades com Educação","slug":"escola-justa-combatendo-as-desigualdades-com-educacao","cover_image":"https://602b0a49a74b651d2ab0f827.redesign.static-01.com/l/images/82680d291c3f94558e05d584588e6a5d5b22336e.png","cover_image_alt_text":null,"headline":"Quando se ouve falar em justiça, é natural entender o conceito como a igualdade de direitos e oportunidades entre as pessoas. Um lugar justo é aquele onde os direitos dos indivíduos","preview_content":"

Quando se ouve falar em justiça, é natural entender o conceito como a igualdade de direitos e oportunidades entre as pessoas.  Um lugar justo é aquele onde os direitos dos indivíduos

","main_content":"

Quando se ouve falar em justiça, é natural entender o conceito como a igualdade de direitos e oportunidades entre as pessoas. Um lugar justo é aquele onde os direitos dos indivíduos são respeitados e os deveres cumpridos, onde as oportunidades são iguais para todos e as condições para buscá-las são acessíveis para qualquer um.

Não é difícil perceber que, neste entendimento, o Brasil não pode ser considerado um país justo, a igualdade social está longe de ser alcançada. Os indicadores sociais obtidos por organizações nacionais (IBGE) e internacionais (PNUD) mostram um cenário de grande desigualdade social no Brasil. Não se resume apenas à questão financeira, na qual a distribuição de riqueza é bastante desproporcional, mas também às questões racial e de gênero.

A Educação tem papel essencial para o combate às desigualdades, por isso é um dos fatores utilizados para o cálculo do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Em um país desigual como o Brasil e com um sistema educacional público abrangente (mais de 35 milhões de alunos), a discussão sobre os fatores que promovem a justiça escolar é essencial para alunos, professores, cidadãos e governantes.

Neste texto, vou falar sobre o artigo “O que é uma escola justa?” do sociólogo François Dubet (2004), no qual aponta diferentes entendimentos de promoção da justiça escolar, apresentando dilemas, limitações e paradoxos acerca das visões mais comuns.

 

Aspectos da justiça escolar

“A priori, o desejo de justiça escolar é indiscutível, mas a definição do que seria uma escola justa é das mais complexas, ou mesmo das mais ambíguas, pois podemos definir justiça de diferentes maneiras.” (DUBET, 2004, p.540).

De acordo com Dubet, existem concepções válidas de justiça escolar que podem ser contraditórias entre si, portanto o caminho para tornar uma escola justa é permeado por escolhas que combinam valores e aspectos de cada visão. O autor apresenta as seguintes definições para os possíveis objetivos de uma escola justa:

 

A meritocracia na escola

Dubet coloca a meritocracia como um princípio que promove a justiça escolar, em um sistema ideal, oferecendo a todos os alunos as mesmas oportunidades no ensino, em termos de acesso e de qualidade de conteúdo. O questionamento do autor diz respeito à incapacidade da escola de instaurar uma meritocracia plena isolando as desigualdades sociais externas a ela, por exemplo, as questões econômicas, raciais, de gênero, estrutura familiar e, até mesmo, participação dos pais na educação dos filhos.

“O modelo meritocrático está longe, portanto, de sua realização; a competição não é perfeitamente justa. Em uma palavra: quanto mais favorecido o meio do qual o aluno se origina, maior sua probabilidade de ser um bom aluno, quanto mais ele for um bom aluno, maior será sua possibilidade de aceder a uma educação melhor, mais diplomas ele obterá e mais ele será favorecido.” (DUBET, 2004, p.543).

É importante ressaltar que a análise de Dubet é feita tendo como base o sistema educacional francês, que já passou por transformações no sentido de tornar menos desiguais o acesso às escolas. No caso brasileiro, a situação é muito pior, pois existe uma grande diferença de qualidade entre o ensino público e o privado.

Outra questão problemática do modelo meritocrático é a responsabilidade colocada totalmente nos estudantes pelo seu desempenho escolar, o que resulta em perda da auto-estima nos casos de fracasso. Essa situação pode gerar uma maior desigualdade entre os alunos de bom desempenho e aqueles menos bons, a tendência da meritocracia é ter mais perdedores do que vencedores.

Analisando de forma mais profunda, é possível questionar o que é o mérito, quem define os critérios de seleção e se estes podem ser mensurados de forma objetiva, sabe-se que os valores em uma sociedade são determinados pela ideologia dominante.


\n\n

Desigualdade gera desigualdade

O autor ainda escreve sobre o efeito negativo que a desigualdade escolar pode ter em outras formas de desigualdade social, propiciando a sua manutenção ou até mesmo ampliação. Portanto, uma escola justa deve se preocupar em evitar isso.

“A escola cria suas próprias desigualdades, a economia cria suas próprias desigualdades, a cultura cria suas desigualdades, a política cria suas desigualdades… As desigualdades de cada um desses domínios podem e precisam ser combatidas. Mas há desigualdade e injustiça novas quando as desigualdades produzidas por uma esfera de justiça provocam automaticamente desigualdades em outra esfera. Assim, desigualdades de renda causam desigualdades na esfera da escola, da cultura, da política, da saúde e também da beleza.” (DUBET, 2004, p.549-550).

\n

Como tornar a escola mais justa

A sugestão de Dubet para minimizar os efeitos das desigualdades sociais é criar um modelo de discriminação positiva, que proponha mecanismos compensatórios, como “estudos dirigidos, atividades esportivas e culturais, estabilidade e qualidade das equipes educacionais, preparação específica para concursos e exames”.

Outra medida proposta é o oferecimento de conhecimento mínimo como um aspecto importante para a escola justa, com objetivo de evitar uma exclusão total dos alunos mais fracos, em uma lógica semelhante à política de salário mínimo.

Torna-se crítica a definição do que seria o nível mínimo, já que um ponto muito baixo pode ser insuficiente para garantir aos menos favorecidos condições de melhorar sua situação e um grau muito alto, buscando excelência, pode resultar em abandono daqueles alunos que não conseguirem acompanhar as exigências.

Dubet indica que uma escola justa deve se preocupar de maneira especial em garantir um bom tratamento aos alunos que não obtiverem o sucesso de desempenho na competição meritocrática, normalmente marginalizados com a visão de serem responsáveis pelo seu mau resultado escolar.

Para isso, propõe duas ações: revalorizar os cursos técnicos e profissionais, relacionando-os com os gostos e talentos dos alunos; entender o papel educativo da escola como algo além da instrução “técnica”, envolvendo os alunos em outras atividades pedagógicas, culturais e esportivas.

A questão da integração dos jovens ao mercado de trabalho se contrapõe ao aspecto de incentivar a escolha de caminhos por interesses. É importante que o diploma obtido após um ciclo de ensino aumente as chances de “sucesso” no mundo profissional, grande expectativa dos alunos e de seus pais para com a escola. Essa questão cria uma competição entre as instituições de ensino e, por consequência, estabelece condições desiguais de acesso.

Por outro lado, podemos imaginar que uma escola justa permite aos jovens escolher seus caminhos de acordo com seus talentos, paixões e afinidades. É necessário o equilíbrio, pois, se este for o único critério, há o risco desses indivíduos fracassarem no momento de conseguir emprego.


Este texto foi publicado originalmente no blog da Layers Education

 

","word_count":1081,"list_items":[],"recipe":{"portions":"","total_time":"","description":"","image_one_one":null,"image_sixteen_nine":null,"stages":[],"ingredients":[],"created_on":"2024-03-14T18:48:11.888Z","updated_on":null},"external_link":null,"created_on":"2024-03-14T18:48:11.887Z","updated_on":null,"read_time":7},"author":{"id":"602c0ac8c95562223a93b904","name":"Henrique Uyeda do Amaral","image":"https://users.redesign.static-01.com/602c0ac8c95562223a93b904/s/images/10a79cfc5ea4d15cbc2020457dc034f9846adf47.jpg","slug":"henriqueuyeda","bio":"Henrique Uyeda do Amaral é escritor e educomunicador. Um dos criadores da base educom. Licenciado em Educom na ECA-USP. Especialista em educação e tecnologia, já atuou como educador, formador de professores, autor de material didático e mais.","job":"Educomunicador","company":"base educom"}},{"id":"614a48478fed6264ac92303f","updated":"2021-09-29T10:30:00.758Z","created":"2021-09-21T21:01:59.572Z","statuses":{"approval_status":"approved","publish_status":"published","visibility_status":"public","has_pending_changes":false,"is_pinned":false,"is_paywall_disabled":false,"scheduled_date":"2021-09-29T10:30:00.595Z","rejection_reason":null},"metadata":{"location":"home","location_slug":"blog","content_type":"post","publish_date":"2021-09-29T10:30:00.758Z","likes_count":0,"bookmarks_count":0,"comments_count":0,"score":"2021-09-29T10:30:00.758Z","sharing_title":"Eleutheromania, um intenso e irrepreensível desejo por liberdade","sharing_description":null,"sharing_image":"https://602b0a49a74b651d2ab0f827.redesign.static-01.com/f/images/17de242fb431fc2e3e716d2600297961ad1a8bf9.jpeg","tag_ids":["605e32aa32e1ab6069a32959","60ad51bd7bac1925ed0b8754","614a49dbadf6b60330e4b1c5","614a49dbadf6b60330e4b1c7","6046362f3a687c14765da8c5"],"author_user_id":"614a43a2ed415903293037ac","moderator_user_id":"602c0ac8c95562223a93b904","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827","course_id":null,"course_module_id":null,"group_id":null,"version":1,"tags":[{"id":"614a49dbadf6b60330e4b1c5","title":"lgbt","slug":"lgbt","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"},{"id":"614a49dbadf6b60330e4b1c7","title":"genero","slug":"genero","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"},{"id":"6046362f3a687c14765da8c5","title":"anuario 2020","slug":"anuario-2020","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"},{"id":"605e32aa32e1ab6069a32959","title":"educomunicacao","slug":"educomunicacao","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"},{"id":"60ad51bd7bac1925ed0b8754","title":"cinema","slug":"cinema","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"}]},"content":{"title":"Eleutheromania, um intenso e irrepreensível desejo por liberdade","slug":"eleutheromania-um-intenso-e-irrepreensivel-desejo-por-liberdade","cover_image":"https://602b0a49a74b651d2ab0f827.redesign.static-01.com/l/images/17de242fb431fc2e3e716d2600297961ad1a8bf9.jpeg","headline":"Oi! Eu sou o Andrew, sou estudante de educomunicação da turma de 2019 e técnico em audiovisual. Durante todo meu processo como educomunicador, meu principal meio de expressão é o","main_content":"

Oi! Eu sou o Andrew, sou estudante de educomunicação da turma de 2019 e técnico em audiovisual. Durante todo meu processo como educomunicador, meu principal meio de expressão é o audiovisual, e por ele, abordo assuntos da minha existência.

 

Eleutheromania


Pensando na criação de Eleutheromania (um intenso e irrepreensível desejo por liberdade) uma inquietação resume o sentimento que tive durante todo o processo: “Quando perguntam se nós LGBTs somos gays, lésbicas, bi, trans etc… ninguém está interessado em nos ajudar, ou saber como estamos, só querem nos colocar em uma caixa”.

Com esse pensamento e revisitando diálogos com amigos eu resolvi começar o processo de criar o Eleutheromania, com um desafio: Uma semana para a realização para lançar no dia do orgulho LGBT+ em uma companhia de arte do Rio de Janeiro - Cia 2 Banquinhos - em um evento online.

A Cia 2 Banquinhos é uma companhia de artistas do Rio de Janeiro que atuam em várias frentes, fundados por dois palhaços que criam eventos, peças de teatro e etc.

Com essa inquietação permeando todo o processo, resolvi falar sobre o período infanto-juvenil, por ser um momento em que a sexualidade aflora e começamos a ser mais introspectivos com esses assuntos. Reuni algumas pessoas baseado em minha proximidade com elas e a partir daí encontrar diferenças e pontos em comum para costurar a narrativa do filme.

O processo prático foi simples: por meio de mensagens, conversaria com esses amigos, escolhidos por mim. como critério de escolha a afinidade que tinha com eles, e funcionaria como uma entrevista para documentário, orientei para que reservasse um tempo para responder de forma síncrona e sempre por meio de áudios. Eu abordei sempre o período escolar, como era a relação dessa pessoa com a escola, com as brincadeiras da época, sua relação familiar e com amigos e sua experiência com sua sexualidade nesse período.

E então, feita a entrevista, pedi para que me mandassem fotos do período infanto-juvenil para que essas compusessem a imagem do filme.

 

Durante a edição desses arquivos, resolvi que precisava de uma música, então em contato com dois musicoterapeutas (Thays Kristye e Fábio Sena) começamos a pensar esse elemento do filme. Eu mandei o primeiro corte e eles compuseram a música com as referências apresentadas e num processo de assistir-compor ao mesmo tempo. Após a finalização eu fui percebendo que o filme também funcionava como uma música, então muitas vezes eu parava, colocava o filme pra tocar e ia fazer outra coisa, ouvindo os discursos com o instrumental.

O filme foi veiculado em um evento para o mês do orgulho LGBT+ na companhia Cia 2 Banquinhos, em uma live no youtube. Um mês depois foi escolhido para passar em uma mostra não competitiva online o Cindie Festival.

Fiquei muito emocionado quando recebi o email do festival admitindo a mostra do filme, também participei da mesa do FZDZ da ECA, o Fazendo e Desfazendo gênero na ECA, que me convidou para exibir o filme junto a mais 2 produções audiovisuais e discutir sobre a pauta gênero e sexualidade. 

 

 

","external_link":null,"list_items":[],"recipe":{"portions":"","total_time":"","description":"","ingredients":[],"stages":[],"nutritional_information":""},"word_count":533,"read_time":4},"content_draft":{"title":"Eleutheromania, um intenso e irrepreensível desejo por liberdade","slug":"eleutheromania-um-intenso-e-irrepreensivel-desejo-por-liberdade","cover_image":"https://602b0a49a74b651d2ab0f827.redesign.static-01.com/l/images/17de242fb431fc2e3e716d2600297961ad1a8bf9.jpeg","main_content":"

Oi! Eu sou o Andrew, sou estudante de educomunicação da turma de 2019 e técnico em audiovisual. Durante todo meu processo como educomunicador, meu principal meio de expressão é o audiovisual, e por ele, abordo assuntos da minha existência.

 

Eleutheromania


Pensando na criação de Eleutheromania (um intenso e irrepreensível desejo por liberdade) uma inquietação resume o sentimento que tive durante todo o processo: “Quando perguntam se nós LGBTs somos gays, lésbicas, bi, trans etc… ninguém está interessado em nos ajudar, ou saber como estamos, só querem nos colocar em uma caixa”.

Com esse pensamento e revisitando diálogos com amigos eu resolvi começar o processo de criar o Eleutheromania, com um desafio: Uma semana para a realização para lançar no dia do orgulho LGBT+ em uma companhia de arte do Rio de Janeiro - Cia 2 Banquinhos - em um evento online.

A Cia 2 Banquinhos é uma companhia de artistas do Rio de Janeiro que atuam em várias frentes, fundados por dois palhaços que criam eventos, peças de teatro e etc.

Com essa inquietação permeando todo o processo, resolvi falar sobre o período infanto-juvenil, por ser um momento em que a sexualidade aflora e começamos a ser mais introspectivos com esses assuntos. Reuni algumas pessoas baseado em minha proximidade com elas e a partir daí encontrar diferenças e pontos em comum para costurar a narrativa do filme.

O processo prático foi simples: por meio de mensagens, conversaria com esses amigos, escolhidos por mim. como critério de escolha a afinidade que tinha com eles, e funcionaria como uma entrevista para documentário, orientei para que reservasse um tempo para responder de forma síncrona e sempre por meio de áudios. Eu abordei sempre o período escolar, como era a relação dessa pessoa com a escola, com as brincadeiras da época, sua relação familiar e com amigos e sua experiência com sua sexualidade nesse período.

E então, feita a entrevista, pedi para que me mandassem fotos do período infanto-juvenil para que essas compusessem a imagem do filme.

 

Durante a edição desses arquivos, resolvi que precisava de uma música, então em contato com dois musicoterapeutas (Thays Kristye e Fábio Sena) começamos a pensar esse elemento do filme. Eu mandei o primeiro corte e eles compuseram a música com as referências apresentadas e num processo de assistir-compor ao mesmo tempo. Após a finalização eu fui percebendo que o filme também funcionava como uma música, então muitas vezes eu parava, colocava o filme pra tocar e ia fazer outra coisa, ouvindo os discursos com o instrumental.

O filme foi veiculado em um evento para o mês do orgulho LGBT+ na companhia Cia 2 Banquinhos, em uma live no youtube. Um mês depois foi escolhido para passar em uma mostra não competitiva online o Cindie Festival.

Fiquei muito emocionado quando recebi o email do festival admitindo a mostra do filme, também participei da mesa do FZDZ da ECA, o Fazendo e Desfazendo gênero na ECA, que me convidou para exibir o filme junto a mais 2 produções audiovisuais e discutir sobre a pauta gênero e sexualidade. 

 

 

","read_time":4},"author":{"id":"614a43a2ed415903293037ac","name":"Andrew Urbano Silva","slug":"andrewurbano","image":"https://users.redesign.static-01.com/614a43a2ed415903293037ac/s/images/1f1ce0f17113cfa458d07dd3ebadcfda0709a2f8.jpg"}}]}}