{"status":200,"response":{"result":"RELATED_ARTICLES_RETRIEVED","data":[{"id":"62880e09510c6b27142b3c03","updated":"2022-05-20T21:54:17.038Z","created":"2022-05-20T21:54:17.039Z","statuses":{"approval_status":"approved","publish_status":"published","visibility_status":"public","has_pending_changes":false,"is_pinned":false,"is_paywall_disabled":false,"scheduled_date":null,"rejection_reason":null},"metadata":{"location":"home","location_slug":"blog","content_type":"post","publish_date":"2022-05-20T21:54:17.074Z","likes_count":1,"bookmarks_count":0,"comments_count":0,"score":"2022-05-20T22:54:17.074Z","sharing_title":"Documentário curta metragem “Com as capas no varal” mostra dificuldades de professores/as na pandemia","sharing_description":null,"sharing_image":"https://602b0a49a74b651d2ab0f827.redesign.static-01.com/f/images/1f594552eb2a189b312c0141d525aa3575fa2d84.png","tag_ids":["60ad51bd7bac1925ed0b8755","62880e09510c6b27142b3c00","6068c377458b6d472b0e23f2","62880e09510c6b27142b3c01","62880e09510c6b27142b3c02"],"author_user_id":"602c0ac8c95562223a93b904","moderator_user_id":null,"project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827","course_id":null,"course_module_id":null,"group_id":null,"version":1,"tags":[{"id":"6068c377458b6d472b0e23f2","title":"ensino remoto","slug":"ensino-remoto","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"},{"id":"62880e09510c6b27142b3c01","title":"professores","slug":"professores","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"},{"id":"62880e09510c6b27142b3c02","title":"curtametragem","slug":"curtametragem","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"},{"id":"60ad51bd7bac1925ed0b8755","title":"audiovisual","slug":"audiovisual","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"},{"id":"62880e09510c6b27142b3c00","title":"pandemia","slug":"pandemia","project_id":"602b0a49a74b651d2ab0f827"}]},"content":{"title":"Documentário curta metragem “Com as capas no varal” mostra dificuldades de professores/as na pandemia","slug":"documentario-curta-metragem-com-as-capas-no-varal-mostra-dificuldades-de-professoresas-na-pandemia","cover_image":"https://602b0a49a74b651d2ab0f827.redesign.static-01.com/l/images/1f594552eb2a189b312c0141d525aa3575fa2d84.png","headline":"O ano de 2020 foi difícil para toda a população mundial, mas especialmente para professoras e professores. Estes profissionais foram colocados na missão de garantir o direito à educação para milhões","main_content":"

O ano de 2020 foi difícil para toda a população mundial, mas especialmente para professoras e professores. Estes profissionais foram colocados na missão de garantir o direito à educação para milhões de crianças e adolescentes brasileiros sob novas condições.

A necessidade do isolamento físico para conter o avanço da pandemia, obrigou as escolas a adotarem o ensino remoto emergencial. Professores, alunos e famílias tiveram que se acostumar com a nova dinâmica, incorporando tecnologias e descobrindo possibilidades e, principalmente, limitações no processo.

As professoras e professores foram vistos pela maior parte das pessoas como super heroínas e super heróis. Porém, estes rótulos, apesar de valorizarem o trabalho docente, colocam os profissionais como sobrehumanos, como se não houvessem dificuldades.

O contexto apresentado foi o ponto de partida para o documentário curta metragem “Com as capas no varal”, desenvolvido por estudantes do curso de Licenciatura em Educomunicação da ECA-USP.

O grupo foi formado por Ana Rayol, Evelyn Soares, Ligia Souto e Henrique Uyeda do Amaral (eu mesmo!) para a disciplina de “Estratégias de Produção Audiovisual em Projetos Educomunicativos”, ministrada pelo prof. dr. Marciel Consani. O objetivo do curso era conhecer e aplicar técnicas de produção de vídeos, resultando em diversos curtas produzidos pela turma.

 

O curta metragem “Com as capas no varal”

O documentário começa com o texto narrado pela Lígia Souto:

“Nos momentos de adversidade, o medo nos toma por completo, tudo o que desejamos é uma salvação. Chamamos de heróis e heroínas aqueles que nos ajudam a superar a situação. Nos empolgamos com a gratidão, enxergamos superpoderes, exaltamos seu trabalho e esforço nos textões e memes das redes sociais. Repetimos tantas frases de agradecimento que esquecemos de ouvir. Perdemos a chance de descobrir com sinceridade como foi ser colocado nesta missão…”

Em seguida, são intercalados trechos de entrevistas com dois professores (Everton e Tarcio) e duas professoras (Andressa e Carolina) sobre como foi realizar o ensino remoto ao longo de 2020. As falas se conectam formando uma narrativa sobre o período, mostrando as dificuldades encontradas.

A produção foi planejada e realizada totalmente à distância, respeitando o isolamento social como prevenção à saúde, e também utilizando como linguagem audiovisual as mesmas ferramentas utilizadas pelos professores em suas aulas online: computador, celular e videochamada.

O resultado foi um relato sensível e emocionante de como foi ser professora e professor em meio ao caos que a pandemia trouxe. Vale a pena conferir!

Assista completo abaixo ou no Youtube:

 

Ficha técnica

Título: Com as capas no varal
Direção: Ana Rayol, Evelyn Soares, Henrique Uyeda do Amaral e Lígia Souto
Entrevistadas/os: Andressa Caprecci, Carolina Tiago, Everton dos Santos e Tarcio Vancim de Azevedo
Narração: Lígia Souto
Roteiro e montagem: Henrique Uyeda do Amaral
Produção das entrevistas: Evelyn Soares e Lígia Souto
Decupagem: Evelyn Soares e Lígia Souto
Edição de vídeo: Ana Rayol e Henrique Uyeda do Amaral
Edição de áudio: Ana Rayol
Orientação acadêmica: Marciel Consani

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O ano de 2020 foi difícil para toda a população mundial, mas especialmente para professoras e professores. Estes profissionais foram colocados na missão de garantir o direito à educação para milhões de crianças e adolescentes brasileiros sob novas condições.

A necessidade do isolamento físico para conter o avanço da pandemia, obrigou as escolas a adotarem o ensino remoto emergencial. Professores, alunos e famílias tiveram que se acostumar com a nova dinâmica, incorporando tecnologias e descobrindo possibilidades e, principalmente, limitações no processo.

As professoras e professores foram vistos pela maior parte das pessoas como super heroínas e super heróis. Porém, estes rótulos, apesar de valorizarem o trabalho docente, colocam os profissionais como sobrehumanos, como se não houvessem dificuldades.

O contexto apresentado foi o ponto de partida para o documentário curta metragem “Com as capas no varal”, desenvolvido por estudantes do curso de Licenciatura em Educomunicação da ECA-USP.

O grupo foi formado por Ana Rayol, Evelyn Soares, Ligia Souto e Henrique Uyeda do Amaral (eu mesmo!) para a disciplina de “Estratégias de Produção Audiovisual em Projetos Educomunicativos”, ministrada pelo prof. dr. Marciel Consani. O objetivo do curso era conhecer e aplicar técnicas de produção de vídeos, resultando em diversos curtas produzidos pela turma.

 

O curta metragem “Com as capas no varal”

O documentário começa com o texto narrado pela Lígia Souto:

“Nos momentos de adversidade, o medo nos toma por completo, tudo o que desejamos é uma salvação. Chamamos de heróis e heroínas aqueles que nos ajudam a superar a situação. Nos empolgamos com a gratidão, enxergamos superpoderes, exaltamos seu trabalho e esforço nos textões e memes das redes sociais. Repetimos tantas frases de agradecimento que esquecemos de ouvir. Perdemos a chance de descobrir com sinceridade como foi ser colocado nesta missão…”

Em seguida, são intercalados trechos de entrevistas com dois professores (Everton e Tarcio) e duas professoras (Andressa e Carolina) sobre como foi realizar o ensino remoto ao longo de 2020. As falas se conectam formando uma narrativa sobre o período, mostrando as dificuldades encontradas.

A produção foi planejada e realizada totalmente à distância, respeitando o isolamento social como prevenção à saúde, e também utilizando como linguagem audiovisual as mesmas ferramentas utilizadas pelos professores em suas aulas online: computador, celular e videochamada.

O resultado foi um relato sensível e emocionante de como foi ser professora e professor em meio ao caos que a pandemia trouxe. Vale a pena conferir!

Assista completo abaixo ou no Youtube:

 

Ficha técnica

Título: Com as capas no varal
Direção: Ana Rayol, Evelyn Soares, Henrique Uyeda do Amaral e Lígia Souto
Entrevistadas/os: Andressa Caprecci, Carolina Tiago, Everton dos Santos e Tarcio Vancim de Azevedo
Narração: Lígia Souto
Roteiro e montagem: Henrique Uyeda do Amaral
Produção das entrevistas: Evelyn Soares e Lígia Souto
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Entre os profissionais da Educação, há um consenso de que o processo educativo deve ir além de conteúdo conceituais e armazenamento de informações por parte dos alunos. Por mais que o modelo tradicional (chamado de bancário por Paulo Freire) ainda seja predominante em algumas escolas, é inegável que existem outros aprendizados importantes além da teoria.

Autores e pensadores, no final do século passado, ampliaram a discussão sobre os múltiplos tipos de inteligência. Seguindo esta linha, o livro “Inteligência Emocional” de Daniel Goleman foi pioneiro no estudo dos efeitos das emoções na aprendizagem. Trata da capacidade de trabalhar as emoções de maneira individual e coletiva, afetando também a inteligência cognitiva.

O conceito de inteligência emocional fundamenta o desenvolvimento das chamadas habilidades socioemocionais, cada vez ganhando mais espaço e importância dentro dos processos pedagógicos. Neste texto, vou apresentar a educação socioemocional e indicar caminhos para a sua aplicação.

 

A educação socioemocional

O objetivo da educação socioemocional é desenvolver nos alunos a capacidade de lidar com as suas emoções, que sejam capazes de criar relações sociais positivas e tenham responsabilidade na resolução de problemas. A empatia, a criatividade e o pensamento crítico são algumas das habilidades trabalhadas, para permitir aos estudantes entenderem a si próprios e às outras pessoas.

No ambiente escolar, o desenvolvimento dessas habilidades deve ter a mesma importância do ensino dos conteúdos curriculares. Os benefícios são fortalecer a confiança, resiliência, organização e foco dos educandos, auxiliando na permanência escolar e na construção das relações interpessoais.

Os professores e gestores escolares também precisam aprender a lidar com suas emoções, reflexão nem sempre comum entre os adultos. A busca por materiais e formação sobre este tema cresceu bastante na última década. Esta mudança também pôde ser vista no texto da BNCC, criada em 2018.

 

O que diz a BNCC?

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi criada em 2018 pelo MEC e implantada em 2020 nas escolas, como diretriz para os currículos das redes de ensino públicas e privadas. O documento estabelece como fundamentos pedagógicos o desenvolvimento de competências e a educação integral.

Assim, há a necessidade de trabalhar as competências com caráter socioemocional em sala de aula, como podemos encontrar claramente em três das 10 competências gerais da BNCC, são elas:

Já a educação integral propõe uma educação voltada para o acolhimento, reconhecimento e desenvolvimento pleno do estudante na sua singularidade como indivíduo, promovendo no ambiente escolar o respeito às diferenças e diversidades, aliando o aspecto emocional e o cognitivo.

O cenário nacional da educação exige a atenção das escolas e educadores para as competências socioemocionais e a implantação da BNCC é o grande incentivo para que as mudanças necessárias sejam abraçadas.

 

O desenvolvimento de habilidades socioemocionais

No artigo “O desenvolvimento das habilidades socioemocionais como caminho para a aprendizagem e o sucesso escolar de alunos da educação básica”, a psicóloga Anita Abed fala sobre cinco grandes domínios em relação às habilidades socioemocionais, chamados “Big 5”.

  1. Abertura a experiências: estar disposto e interessado pelas experiências – curiosidade, imaginação, criatividade, prazer pelo aprender
  2. Conscienciosidade: ser organizado, esforçado e responsável pela própria aprendizagem – perseverança, autonomia, auto regulação, controle da impulsividade
  3. Extroversão: orientar os interesses e energia para o mundo exterior – autoconfiança, sociabilidade, entusiasmo
  4. Amabilidade-Cooperatividade: atuar em grupo de forma cooperativa e colaborativa – tolerância, simpatia, altruísmo
  5. Estabilidade emocional: demonstrar previsibilidade e consistência nas reações emocionais – autocontrole, calma, serenidade
    (ABED, 2016)

Conhecer estes domínios das habilidades socioemocionais, permite aos professores refletirem sobre as suas práticas em sala de aula e servir de base teórica para planejar as atividades pedagógicas voltadas para o seu desenvolvimento.

É essencial o apoio das escolas e a dedicação do corpo docente para a formação nestes novos conceitos e nas formas de aplicá-los de maneira efetiva nas práticas educacionais. Assim, será possível atender às diretrizes da BNCC e, principalmente, formar indivíduos mais preparados para conviver em sociedade de maneira saudável e responsável.

 

Referências para aprofundamento

 

Este texto foi publicado originalmente no blog da Layers Education

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Entre os profissionais da Educação, há um consenso de que o processo educativo deve ir além de conteúdo conceituais e armazenamento de informações por parte dos alunos. Por mais que o modelo tradicional (chamado de bancário por Paulo Freire) ainda seja predominante em algumas escolas, é inegável que existem outros aprendizados importantes além da teoria.

Autores e pensadores, no final do século passado, ampliaram a discussão sobre os múltiplos tipos de inteligência. Seguindo esta linha, o livro “Inteligência Emocional” de Daniel Goleman foi pioneiro no estudo dos efeitos das emoções na aprendizagem. Trata da capacidade de trabalhar as emoções de maneira individual e coletiva, afetando também a inteligência cognitiva.

O conceito de inteligência emocional fundamenta o desenvolvimento das chamadas habilidades socioemocionais, cada vez ganhando mais espaço e importância dentro dos processos pedagógicos. Neste texto, vou apresentar a educação socioemocional e indicar caminhos para a sua aplicação.

 

A educação socioemocional

O objetivo da educação socioemocional é desenvolver nos alunos a capacidade de lidar com as suas emoções, que sejam capazes de criar relações sociais positivas e tenham responsabilidade na resolução de problemas. A empatia, a criatividade e o pensamento crítico são algumas das habilidades trabalhadas, para permitir aos estudantes entenderem a si próprios e às outras pessoas.

No ambiente escolar, o desenvolvimento dessas habilidades deve ter a mesma importância do ensino dos conteúdos curriculares. Os benefícios são fortalecer a confiança, resiliência, organização e foco dos educandos, auxiliando na permanência escolar e na construção das relações interpessoais.

Os professores e gestores escolares também precisam aprender a lidar com suas emoções, reflexão nem sempre comum entre os adultos. A busca por materiais e formação sobre este tema cresceu bastante na última década. Esta mudança também pôde ser vista no texto da BNCC, criada em 2018.

 

O que diz a BNCC?

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi criada em 2018 pelo MEC e implantada em 2020 nas escolas, como diretriz para os currículos das redes de ensino públicas e privadas. O documento estabelece como fundamentos pedagógicos o desenvolvimento de competências e a educação integral.

Assim, há a necessidade de trabalhar as competências com caráter socioemocional em sala de aula, como podemos encontrar claramente em três das 10 competências gerais da BNCC, são elas:

Já a educação integral propõe uma educação voltada para o acolhimento, reconhecimento e desenvolvimento pleno do estudante na sua singularidade como indivíduo, promovendo no ambiente escolar o respeito às diferenças e diversidades, aliando o aspecto emocional e o cognitivo.

O cenário nacional da educação exige a atenção das escolas e educadores para as competências socioemocionais e a implantação da BNCC é o grande incentivo para que as mudanças necessárias sejam abraçadas.

 

O desenvolvimento de habilidades socioemocionais

No artigo “O desenvolvimento das habilidades socioemocionais como caminho para a aprendizagem e o sucesso escolar de alunos da educação básica”, a psicóloga Anita Abed fala sobre cinco grandes domínios em relação às habilidades socioemocionais, chamados “Big 5”.

  1. Abertura a experiências: estar disposto e interessado pelas experiências – curiosidade, imaginação, criatividade, prazer pelo aprender
  2. Conscienciosidade: ser organizado, esforçado e responsável pela própria aprendizagem – perseverança, autonomia, auto regulação, controle da impulsividade
  3. Extroversão: orientar os interesses e energia para o mundo exterior – autoconfiança, sociabilidade, entusiasmo
  4. Amabilidade-Cooperatividade: atuar em grupo de forma cooperativa e colaborativa – tolerância, simpatia, altruísmo
  5. Estabilidade emocional: demonstrar previsibilidade e consistência nas reações emocionais – autocontrole, calma, serenidade
    (ABED, 2016)

Conhecer estes domínios das habilidades socioemocionais, permite aos professores refletirem sobre as suas práticas em sala de aula e servir de base teórica para planejar as atividades pedagógicas voltadas para o seu desenvolvimento.

É essencial o apoio das escolas e a dedicação do corpo docente para a formação nestes novos conceitos e nas formas de aplicá-los de maneira efetiva nas práticas educacionais. Assim, será possível atender às diretrizes da BNCC e, principalmente, formar indivíduos mais preparados para conviver em sociedade de maneira saudável e responsável.

 

Referências para aprofundamento

 

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Um tema bastante discutido nos estudos da Educação diz respeito à aprendizagem significativa, aquela que se incorpora à vida do educando trazendo um significado para além da memorização de conteúdos avaliados por uma prova.

É comum ouvir relatos de alunos que esquecem o conteúdo imediatamente após a semana de provas, nós educadores provavelmente vivenciamos isso na época de estudantes e vestibulares. Fica claro, nestes casos, a ausência de significado destes conceitos para vida do sujeito.

Quando olho para a minha formação acadêmica, consigo identificar conteúdos, professores e encontros que de fato foram significativos. Porém, como educomunicador, é um desafio planejar práticas educativas que se tornem experiências significativas para os meus alunos e alunas.

Neste texto, faço uma reflexão (talvez uma divagação) sobre o que torna significativa uma prática pedagógica, no sentido de preparar o indivíduo com conhecimentos teóricos e práticos para a vida. Penso que experiências formativas são significativas quando efetivamente promovem a aprendizagem, visto que esse é objetivo principal das práticas educacionais.

Assim, o foco da análise será nas experiências formativas significativas na área da Educação. Para este texto, selecionei alguns autores da Pedagogia para contribuírem nesta discussão, como Guimarães (1982), Meirieu (1998) e Lahire (2004), além de Paulo Freire (2018) que sempre é uma referência bem vinda.

 

Ensinando a pensar, não a memorizar

Na leitura do texto de Guimarães (1982) “A disciplina no processo de ensino-aprendizagem”, encontramos que uma prática que promove o aprendizado é aquela que promove a compreensão de determinada matéria (por exemplo, as áreas de conhecimento na Educação) em sua totalidade, não de forma fragmentária. Isso só é possível se houver a assimilação pela consciência da organização lógica desta determinada matéria.

Assim, descartamos como uma experiência formativa significativa aquelas que objetivam a memorização de informações, sem trabalhar a organização lógica do pensamento e das relações. Na minha experiência como aluno encontro diversos exemplos em que a abordagem dos professores se resumiu a passar informações e cobrar definições conceituais na prova, para as quais a preparação pessoal se baseava mais na memória do que em raciocínio.

De acordo com Guimarães (1982), esta compreensão só é possível quando o aluno experimenta o obstáculo que implica em dificuldades para o entendimento. Em uma experiência formativa significativa, o professor planeja e determina este processo, selecionando os obstáculos com os quais os alunos irão se deparar.

No texto de Meirieu (1998), de maneira semelhante, o autor enfatiza a necessidade do conflito para que o aluno possa aprofundar um determinado conceito, gerando um “desequilíbrio” que necessita uma reelaboração da representação conceitual. O obstáculo causa uma ruptura que leva a uma estabilização do conhecimento em um nível superior, mais aprofundado.

Vemos que outra questão relevante para uma experiência formativa significativa é ser desafiadora para o aluno, necessita de dedicação e superação de obstáculos. Em outras palavras, interpreto que é indispensável que o processo educativo tenha o aluno como sujeito, com participação ativa em seu aprendizado. A questão inerente é como atingir este grau de participação sem a sensação única de “obrigação”, trazendo interesse pela aprendizagem.

 

Sala de aula conectada com o mundo

Meirieu (1998) aponta que os processos mentais do ser humano apenas consolidam o significado de conceitos quando a identificação e a utilização dos mesmos ocorrem de maneira simultânea e ativa. O autor propõe que as experiências formativas sejam planejadas para que os alunos construam os conceitos por meio da interação entre informações e um projeto com significado pessoal para o sujeito.

Dessa forma, o aprendizado faz sentido a partir da sua aplicação na realidade do aluno e torna-se uma motivação encontrar respostas para as situações propostas pelo professor. A mediação entre sujeito e mundo seria o artifício didático para desenvolver nos alunos a capacidade de aprendizagem “espontânea”, com maior apropriação do processo de aprendizagem por parte do aluno.

 

Autonomia e disciplina não deveriam ser sinônimo de submissão e obediência

 Coloco a autonomia como o principal objetivo da Educação. Deixo claro que falo de uma autonomia com interpretação crítica do mundo, de seu contexto histórico-cultural, com a valorização do desenvolvimento da curiosidade e da criatividade, de uma maneira humanizada e solidária. Uma visão freireana da autonomia. A experiência formativa significativa deve, não apenas apresentar esta autonomia ideal, mas ter na sua prática (atuação docente) estes valores, reproduzindo de maneira genuína e intencional.

No livro de Lahire (2004) “Sucesso escolar nos meios populares”, o autor fala no capítulo 2 sobre a autonomia do aluno como um fator determinante de “sucesso” ou “fracasso” escolar. Porém, ele critica o significado de autonomia para a comunidade escolar como sinônimo de autodisciplina, de saber seguir instruções sozinho, de obediência. Porém, esta autonomia, diferente da proposta por Paulo Freire (2018) em “Pedagogia da Autonomia”, está relacionada a uma visão de aluno como objeto do processo educativo, atuando de maneira passiva para “receber “ os conhecimentos e instruções do professor de maneira obediente.

Voltando ao texto de Guimarães (1982) que coloca o processo de aprendizagem com um disciplinar-se e afirma que o objetivo da disciplina é compreender as exigências da matéria, de modo a aproximar o sujeito da liberdade. Com o conhecimento específico sobre as matérias (escolares ou não) podemos atuar de maneira mais efetiva para a sua transformação. O próprio conceito de disciplina para o autor se distancia do significado comumente aplicado como sinônimo de obediência ou submissão. Aproximando-o do conceito de liberdade.

 

Como dar significado às práticas pedagógicas?

Para concluir esta reflexão, vejo as experiências formativas significativas (no contexto da Educação) aquelas que objetivam a autonomia como liberdade crítica sobre o mundo. Entendo ser necessário um processo educativo que realize a mediação entre o aluno e o mundo, bem como entre a teoria (informações) e a prática (projetos e ações), que vá além da memorização fragmentada de conceitos e propicie o entendimento do pensamento, do aprender, relacionados à compreensão da organização lógica dentro das áreas de conhecimento.

O aluno deve ser sujeito com participação ativa no processo sendo desafiado e desafiando-se a aprender. Cabe a nós, educadores, planejar nossas atividades pedagógicas com ênfase neste processo de conscientização, de desenvolvimento do pensamento e de valorização do estudante como sujeito.

 

Referências bibliográficas

GUIMARÃES, Carlos Eduardo. A disciplina no processo ensino-aprendizagem. Didática, São Paulo, 1982.

LAHIRE, Bernard. Sucesso escolar nos meios populares. As razões do improvável. 1ª edição, 2ª impressão. São Paulo: Editora Ática, 2004

MEIRIEU, Philippe Aprender …. sim, mas como?. Porto Alegre: Artmed, 1998, cap. 2 – “O que é aprender?”.

FREIRE, Paulo.  Pedagogia da autonomia. 57a ed. São Paulo: Paz e Terra, 2018.

 

Este texto foi publicado originalmente no blog da Layers Education

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Um tema bastante discutido nos estudos da Educação diz respeito à aprendizagem significativa, aquela que se incorpora à vida do educando trazendo um significado para além da memorização de conteúdos avaliados por uma prova.

É comum ouvir relatos de alunos que esquecem o conteúdo imediatamente após a semana de provas, nós educadores provavelmente vivenciamos isso na época de estudantes e vestibulares. Fica claro, nestes casos, a ausência de significado destes conceitos para vida do sujeito.

Quando olho para a minha formação acadêmica, consigo identificar conteúdos, professores e encontros que de fato foram significativos. Porém, como educomunicador, é um desafio planejar práticas educativas que se tornem experiências significativas para os meus alunos e alunas.

Neste texto, faço uma reflexão (talvez uma divagação) sobre o que torna significativa uma prática pedagógica, no sentido de preparar o indivíduo com conhecimentos teóricos e práticos para a vida. Penso que experiências formativas são significativas quando efetivamente promovem a aprendizagem, visto que esse é objetivo principal das práticas educacionais.

Assim, o foco da análise será nas experiências formativas significativas na área da Educação. Para este texto, selecionei alguns autores da Pedagogia para contribuírem nesta discussão, como Guimarães (1982), Meirieu (1998) e Lahire (2004), além de Paulo Freire (2018) que sempre é uma referência bem vinda.

 

Ensinando a pensar, não a memorizar

Na leitura do texto de Guimarães (1982) “A disciplina no processo de ensino-aprendizagem”, encontramos que uma prática que promove o aprendizado é aquela que promove a compreensão de determinada matéria (por exemplo, as áreas de conhecimento na Educação) em sua totalidade, não de forma fragmentária. Isso só é possível se houver a assimilação pela consciência da organização lógica desta determinada matéria.

Assim, descartamos como uma experiência formativa significativa aquelas que objetivam a memorização de informações, sem trabalhar a organização lógica do pensamento e das relações. Na minha experiência como aluno encontro diversos exemplos em que a abordagem dos professores se resumiu a passar informações e cobrar definições conceituais na prova, para as quais a preparação pessoal se baseava mais na memória do que em raciocínio.

De acordo com Guimarães (1982), esta compreensão só é possível quando o aluno experimenta o obstáculo que implica em dificuldades para o entendimento. Em uma experiência formativa significativa, o professor planeja e determina este processo, selecionando os obstáculos com os quais os alunos irão se deparar.

No texto de Meirieu (1998), de maneira semelhante, o autor enfatiza a necessidade do conflito para que o aluno possa aprofundar um determinado conceito, gerando um “desequilíbrio” que necessita uma reelaboração da representação conceitual. O obstáculo causa uma ruptura que leva a uma estabilização do conhecimento em um nível superior, mais aprofundado.

Vemos que outra questão relevante para uma experiência formativa significativa é ser desafiadora para o aluno, necessita de dedicação e superação de obstáculos. Em outras palavras, interpreto que é indispensável que o processo educativo tenha o aluno como sujeito, com participação ativa em seu aprendizado. A questão inerente é como atingir este grau de participação sem a sensação única de “obrigação”, trazendo interesse pela aprendizagem.

 

Sala de aula conectada com o mundo

Meirieu (1998) aponta que os processos mentais do ser humano apenas consolidam o significado de conceitos quando a identificação e a utilização dos mesmos ocorrem de maneira simultânea e ativa. O autor propõe que as experiências formativas sejam planejadas para que os alunos construam os conceitos por meio da interação entre informações e um projeto com significado pessoal para o sujeito.

Dessa forma, o aprendizado faz sentido a partir da sua aplicação na realidade do aluno e torna-se uma motivação encontrar respostas para as situações propostas pelo professor. A mediação entre sujeito e mundo seria o artifício didático para desenvolver nos alunos a capacidade de aprendizagem “espontânea”, com maior apropriação do processo de aprendizagem por parte do aluno.

 

Autonomia e disciplina não deveriam ser sinônimo de submissão e obediência

 Coloco a autonomia como o principal objetivo da Educação. Deixo claro que falo de uma autonomia com interpretação crítica do mundo, de seu contexto histórico-cultural, com a valorização do desenvolvimento da curiosidade e da criatividade, de uma maneira humanizada e solidária. Uma visão freireana da autonomia. A experiência formativa significativa deve, não apenas apresentar esta autonomia ideal, mas ter na sua prática (atuação docente) estes valores, reproduzindo de maneira genuína e intencional.

No livro de Lahire (2004) “Sucesso escolar nos meios populares”, o autor fala no capítulo 2 sobre a autonomia do aluno como um fator determinante de “sucesso” ou “fracasso” escolar. Porém, ele critica o significado de autonomia para a comunidade escolar como sinônimo de autodisciplina, de saber seguir instruções sozinho, de obediência. Porém, esta autonomia, diferente da proposta por Paulo Freire (2018) em “Pedagogia da Autonomia”, está relacionada a uma visão de aluno como objeto do processo educativo, atuando de maneira passiva para “receber “ os conhecimentos e instruções do professor de maneira obediente.

Voltando ao texto de Guimarães (1982) que coloca o processo de aprendizagem com um disciplinar-se e afirma que o objetivo da disciplina é compreender as exigências da matéria, de modo a aproximar o sujeito da liberdade. Com o conhecimento específico sobre as matérias (escolares ou não) podemos atuar de maneira mais efetiva para a sua transformação. O próprio conceito de disciplina para o autor se distancia do significado comumente aplicado como sinônimo de obediência ou submissão. Aproximando-o do conceito de liberdade.

 

Como dar significado às práticas pedagógicas?

Para concluir esta reflexão, vejo as experiências formativas significativas (no contexto da Educação) aquelas que objetivam a autonomia como liberdade crítica sobre o mundo. Entendo ser necessário um processo educativo que realize a mediação entre o aluno e o mundo, bem como entre a teoria (informações) e a prática (projetos e ações), que vá além da memorização fragmentada de conceitos e propicie o entendimento do pensamento, do aprender, relacionados à compreensão da organização lógica dentro das áreas de conhecimento.

O aluno deve ser sujeito com participação ativa no processo sendo desafiado e desafiando-se a aprender. Cabe a nós, educadores, planejar nossas atividades pedagógicas com ênfase neste processo de conscientização, de desenvolvimento do pensamento e de valorização do estudante como sujeito.

 

Referências bibliográficas

GUIMARÃES, Carlos Eduardo. A disciplina no processo ensino-aprendizagem. Didática, São Paulo, 1982.

LAHIRE, Bernard. Sucesso escolar nos meios populares. As razões do improvável. 1ª edição, 2ª impressão. São Paulo: Editora Ática, 2004

MEIRIEU, Philippe Aprender …. sim, mas como?. Porto Alegre: Artmed, 1998, cap. 2 – “O que é aprender?”.

FREIRE, Paulo.  Pedagogia da autonomia. 57a ed. São Paulo: Paz e Terra, 2018.

 

Este texto foi publicado originalmente no blog da Layers Education

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