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Como eu entendo a relação entre Educomunicação e a Educação Midiática

Como eu entendo a relação entre Educomunicação e a Educação Midiática

Ontem, dia 25/03, tive um bate papo muito proveitoso com o Adriano Leonel (também da base educom) e a prof.ª Edilane Teles (coordenadora do grupo Polifonia e docente da UNEB). Tivemos a oportunidade de apresentar a base educom e o prazer de conhecer o trabalho do grupo de pesquisa Polifonia.

Dentre os assuntos percorridos, em uma troca muito genuína, discutimos a confusão entre os termos Educomunicação e Educação Midiática. A sensação de incômodo ao vermos o entendimento de que são sinônimos e a dificuldade em explicar a diferença para profissionais de outras áreas (mesmo da Educação) também são comuns entre educomunicadores e educomunicadoras do meu círculo mais próximo.

Decidi escrever sobre este tema, como forma de organizar e compartilhar as minhas reflexões, fruto deste e de outros momentos de troca com pessoas que fazem educomunicação por aí. O objetivo é mostrar como faço esta relação e, depois, participar da discussão nos comentários.

 

A Educomunicação como paradigma

A Educomunicação é um campo de atuação que abrange a interface entre educação e comunicação. Estamos acostumados a ouvir que educom é um paradigma, pois se propõe a seguir uma nova forma de pensar e de agir, baseada em valores da libertação, do dialógo e da colaboração, em oposição ao pensamento hegemônico da ordem, das certezas e da competitividade.

Algumas das características inerentes a qualquer prática educomunicativa são o diálogo entre agentes da educação, o protagonismo e a autonomia de estudantes, a relação horizontal entre educadores e educandos, a colaboração e a participação dos indivíduos, a educação com foco no social e o desenvolvimento do pensamento crítico.

Entendo que uma ação educomunicativa precisa necessariamente partir de uma lógica antihegemônica e decolonizante (o Adriano gosta sempre de lembrar, o conceito de educom é essencialmente latinoamericano). Aí se efetiva a mudança de paradigma.

A contribuição da comunicação não pode se resumir às tecnologias e ferramentas utilizadas, precisa ir além, estabelecer o diálogo. Mudar a dinâmica e os papéis no processo educativo, desconstruir que professor e aluno sejam sempre emissor e receptor, respectivamente, transformando-os em interlocutores - como afirmaram Paulo Freire e Mario Kaplún, entre outros.

Partindo deste paradigma, destes valores, educomunicadores e educomunicadoras podem agir no mundo. A sistematização das áreas de intervenção educomunicativas (no trabalho da Lígia de Almeida, docente da Universidade Federal de Campina Grande/PB) contribuem para entendermos caminhos possíveis desta atuação.

São elas:

  • Educação para a comunicação

  • Pedagogia da comunicação

  • Expressão comunicativa por meio das artes [segundo Maurício Silva. (2016)]

  • Produção midiática

  • Mediação tecnológica na educação

  • Epistemologia da educomunicação

  • Gestão da comunicação

 

              Segundo ALMEIDA, L. B. C. (2016)


 

A Educação Midiática como área de intervenção

Após conhecer a sistematização das áreas de intervenção no ano passado, passei a entender a educação midiática como uma delas (ou parte), a chamada de educação para a comunicação. O mesmo entendimento vale para a área de tecnologia educacional (que tem sido uma porta de entrada para educons nas escolas, inclusive para mim), para a produção midiática ou para a utilização da linguagem artística na construção do diálogo.

Todas essas são possíveis formas de atuação para educomunicadores, mas não são exclusivas para estes profissionais. Podemos ter educação midiática feita de maneira educomunicativa ou não, assim como a mediação tecnológica, a produção midiática, etc. O que vai definir se a prática é educomunicativa? Exatamente o paradigma e os valores que formam sua estrutura.

O que nos define como profissionais de educomunicação, na minha visão, é a forma como pensamos e colocamos em prática os valores deste pensamento. É como construímos as relações horizontais, como estabelecemos o diálogo como forma de comunicação, utilizamos as tecnologias para dar voz aos menos privilegiados.

Para mim, fez sentido concluir que nós educomunicadores e educomunicadoras podemos fazer educação midiática (ou outra ação), mas nem toda educação midiática é educomunicativa. As áreas de intervenção apontam possibilidade para O QUE podemos fazer. Porém o que define a Educomunicação é o COMO fazemos.

 

Vamos continuar a discussão nos comentários! Quero conhecer outras visões, questões e sugestões.

Base Educom
Henrique Uyeda do Amaral
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Henrique Uyeda do Amaral é escritor e educomunicador. Um dos criadores da base educom. Licenciado em Educom na ECA-USP. Especialista em educação e tecnologia, já atuou como educador, formador de professores, autor de material didático e mais.

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