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Oficina de criatividade no InovaBra Habitat e possíveis relações com a educomunicação

Oficina de criatividade no InovaBra Habitat e possíveis relações com a educomunicação
Raira Santos Torrico
set. 6 - 8 min de leitura
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BREVE HISTÓRICO

Durante o curso de educomunicação, uma das ferramentas que mais me identifiquei foram as oficinas. Talvez por se aproximarem mais do modelo de sala de aula, talvez pela grande interação e pelas trocas que os participantes geram com esse formato.

Para mim, as oficinas sempre foram sinônimo de “mão na massa”, é diferente de uma palestra, de uma aula ou de um trabalho em grupo. Os alunos que participam de uma oficina, geralmente, vão abertos a experimentar, a testar novos formatos e interações diferentes. Antes da pandemia, enchia-se a parede/quadro de post-its para organizar ideias e exercitar a mente a pensar “fora da caixa” ao buscar soluções para algum problema (que poderia ser social, corporativo, ambiental ou de outra temática). Pós pandemia, os post-its migraram para as plataformas digitais e ferramentas como o miro, o google drive, o microsoft online e tantas outras que dominaram as telas compartilhadas, mas as interações, o exercício imagético e os aprendizados proporcionados pelas oficinas, continuaram presentes no mundo digital.

Durante o período de graduação (pré pandemia), busquei desenhar e testar oficinas envolvendo diferentes temas, como acessibilidade e letramento digital.

Após a conclusão do curso, busquei outras oportunidades para continuar testando oficinas, novos formatos e novas habilidades na facilitação. Nessa busca, cheguei ao InovaBra Habitat, para aplicar uma oficina, agora de criatividade, com conhecimentos adquiridos de um curso de extensão feito na Itália, em 2019.

 

A OFICINA: MÉTODO MULTINÍVEL DE PRODUTIVIDADE CRIATIVA

Após realizar o curso de 3 semanas, estava ansiosa para aplicar o passo a passo aprendido no curso com uma nova turma. A oficina gerava uma alta interação, com compartilhamento de informações, construção colaborativa e trabalho em equipe, com duração de até 4 horas e um número alto de ideias que poderiam ser desenvolvidas fora do post-it.

Talvez você, leitor, possa estar associando a descrição acima com a famosa ferramenta do design thinking, e apesar de terem objetivos semelhantes (buscar soluções para problemas “difíceis” ou complexos), o passo a passo é diferente e pretendo explicar com mais detalhes abaixo.

O objetivo desse método de produtividade criativa é compreender um processo criativo por meio de etapas estruturadas para buscar diferentes soluções, de acordo com o problema apresentado. Em seguida, as soluções são classificadas e separadas para saber quais podem ser realizadas rapidamente e quais precisarão de mais tempo. (Afinal, se o problema é reduzir a quantidade de gases poluentes na atmosfera, criar um mecanismo que possa filtrar grande parte desses gases levaria um grande tempo comparando com uma solução mais simples, como reciclar e reutilizar embalagens, por exemplo).

O método completo acontece em 7 etapas, sendo todas em grupo. Após a separação dos participantes em grupos, eles devem escolher um problema complexo que desejam resolver (a necessidade também surge do grupo, de forma que todos participam desde o começo das discussões). Assim, após identificar o problema, a etapa seguinte é de brainstorming, em que as contribuições acontecem de forma livre para solucionar ou minimizar o problema escolhido.

Ao final da etapa de brainstorming, os participantes passam a conhecer os problemas dos outros grupos contribuindo com ideias para as demais problemáticas. A etapa seguinte é a fase de separação das ideias, de forma que sejam agrupadas em dois grupos: os de execução rápida e os de execução demorada (nenhuma ideia é descartada ou considerada “impossível”). Assim, os grupos filtram quais podem ser aplicadas rapidamente para saírem do post-it e serem pilotadas. Por fim, os grupos desenvolvem uma das ideias (ou mais de uma) para elaborar um Produto Mínimo Viável (MVP – Minimum Viable Product, em inglês) e apresentam para a turma.

De forma resumida, o passo-a-passo é:

  1.  Formação dos grupos
  2.  Identificação do problema
  3.  Elaboração das soluções (desde as mais simples até as mais complexas, sem filtros, em um curto período de tempo – o foco é quantidade)
  4.  Troca dos grupos
  5.  Classificação das soluções de acordo com a viabilidade
  6.  Criação de um protótipo (que pode ser no sulfite mesmo)
  7.  Apresentação para a turma

Esse formato possui grande influência do mercado de desenvolvimento de produtos, desenvolvimento de softwares e das startups, que nascem para atender uma demanda específica, ganham escala (ou não) e competem com grandes empresas em escala mundial (você deve ter pensado na Uber, no Nubank, no airb&b, no Pinterest, no próprio Google e tantas outras que estão crescendo atualmente, como também pode ter lembrado dos patinetes elétricos da Grin e da Yellow, que entraram para o hall dos cases de insucesso).

A aplicação dessa oficina aconteceu pouco antes da cidade de São Paulo declarar quarentena pela primeira vez, em março de 2020, quando os últimos eventos presenciais ainda eram realizados. O local foi o incrível espaço do InovaBra Habitat, um ambiente de Co inovação do Bradesco, com atuação física e digital, onde grandes empresas, startups, investidores, tech partners, consultores e mentores trabalham de forma colaborativa para inovar e gerar novos negócios (vale muito uma visita lá).

Após a análise e a aprovação da proposta da oficina pelo InovaBra, a divulgação foi realizada pelo Sympla, com limite de inscrição por conta da lotação da sala. 14 alunos participaram da oficina, que durou 3 horas e gerou mais de 120 ideias para 4 problemas complexos.

A estrutura do local, a abertura para experimentação dos participantes, as interações de pessoas que foram se conhecer naquele espaço e a disponibilidade dos participantes contribuíram para que a oficina fosse aplicada com sucesso.

 

RELAÇÕES COM A EDUCOMUNICAÇÃO

Por envolver conceitos de outros campos, como: administração, psicologia, ciência das redes, entre outras áreas de estudo, a mediação aparece como uma prática de destaque, tanto para acompanhar as discussões nos grupos, como para monitorar o tempo em cada etapa, esclarecer dúvidas e levantar outras questões que podem ajudar o grupo na busca das soluções e criação de ideias.

Pessoalmente, mediar todas as mesas foi um dos momentos mais desafiadores por conta do exercício de escuta individual e de reflexão para trazer a pergunta e o direcionamento adequados para a pessoa que está próxima, atendendo de forma sincera a pergunta do outro, isto conciliado com o controle dos períodos estabelecidos para cada etapa das atividades, de forma que a vivência das próximas etapas não fosse prejudicada. Dependendo da pergunta, a questão era aberta para que o grupo pudesse apoiar e propor um caminho, como por exemplo: “será que esta solução faz sentido?”, nos momentos em que percebia a busca de uma aprovação, aproveitava para que o grupo também pudesse avaliar e apoiar que aquela sugestão fosse devidamente registrada.

Além disso, a colaboração é outra habilidade exercitada fortemente nessa oficina, de forma que o trabalho e o resultado alcançados (seja pelo número total de ideias, seja pela problemática que os grupos buscam solucionar), também criam vínculos com a área da educomunicação, considerando um aspecto mais abrangente, menos formal.

Mas a principal relação que consigo defender é pelo exercício reflexivo, imagético, livre e sem julgamentos no campo das ideias. As soluções escritas em cada post-it carregavam a bagagem, a história e a visão de mundo de cada participante (que possuem idades diferentes, moram em espaços afastados e não possuíam nenhuma interação antes – no caso dos participantes acompanhados, sim, mas não foi um requisito considerado para participar da oficina), que acreditavam que aquela ideia escrita poderia solucionar a questão proposta, realizando individualmente o exercício crítico de reflexão a partir do ato prático de imaginar.

 

CONCLUSÃO

A realização da oficina foi um feito especial para mim, pois pude pilotar e compreender pontos de melhoria enquanto facilitadora, buscando sempre aperfeiçoar habilidades importantes como falar em público, ter empatia e didática para conduzir cada etapa.

A oportunidade de interagir com um grupo desconhecido também foi importante para que eles desenvolvessem novos vínculos, mesmo que temporários, e que realizassem o exercício imagético a partir de um contexto específico para gerar novos aprendizados a partir da prática.


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