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Tecnologias Educacionais: desafios da área no ensino remoto

Tecnologias Educacionais: desafios da área no ensino remoto
Andressa Caprecci
abr. 5 - 5 min de leitura
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O ano de 2020 trouxe e traz aos educadores das tecnologias educacionais inúmeras reflexões sobre o papel deste profissional no âmbito escolar. Fomos desafiadas e desafiados a repensar as paredes da escola, a presencialidade, a corporeidade e a atuação enquanto quem se debruça a pensar a mediação tecnológica dentro do contexto escolar. 

O que se apresenta a nós hoje, é um mundo que depende das tecnologias para continuar em movimento, e as relações interpessoais e afetivas que acontecem e carecem também de sua manutenção no espaço escolar estão totalmente entregues a necessidades de adaptação às telas. 

Fazendo uma retrospectiva deste ano é perceptível como fomos direcionados à adaptar e acostumar com estes novos formatos de aprender, relacionar e ensinar. No entanto, entendemos ser necessário pontuar que acostumar-se não significa que quando possível não retornaremos a dividir o espaço da sala, pátio, biblioteca, quadra, refeitório com todos, retomando a presença do corpo no espaço físico, tão cara a nós. Significa apenas que para enfrentar este momento, foi necessário identificar os recursos técnicos e humanos disponíveis tentando proporcionar cenários factíveis para a atuação escolar no modelo remoto.

Mas diante desse contexto, o que de fato muda para nós educadores da área de tecnologias? Já não pensávamos antes a questão das telas? 

Ainda em movimento de retrospecção, identificamos alguns pontos que entendemos que devem ser considerados na condição provisória que a escola assume nesse tempo. Ao falarmos de escola remota, precisamos entender que dela fazem parte alunos, professores, equipes de coordenação, direção, equipe administrativa, equipe de auxiliares, equipe de educadores de pátio, manutenção, entre outros (com o perdão da não menção dos que aqui faltaram) e cada um singular que compõe esse coletivo com suas particularidades sociais, raciais, culturais e econômicas.

É necessário compreendermos que há diversos usuários e diversos tipos de usos, não há um único caminho. Por isso, entendemos que uma pergunta que deve ser constante é: as escolhas feitas acolhem a todos que compõem essa diversidade? Ainda nesse sentido, entendemos ser um desafio e uma necessidade, olhar para o cansaço e a estafa que decorrem de um período em que por muito tempo, olhamos para as telas. A exemplo, em pesquisa realizada no fim de 2020 com as turmas do 4° e 5° ano de um colégio privado situado na capital de São Paulo 36,55% dos/das estudantes responderam “Fico preocupada/preocupado, pois passo muito tempo na internet”.

Podemos dizer que um dos grandes desafios da área de Tecnologias Educacionais foi compreender como nossos estudantes estão lidando com essa exposição e saturação e convidá-los em nossas práticas, por meio de vídeos, jogos, rodas de conversas, questionários e encontros síncronos, a reflexão sobre essa vivência. 

Parcerias em que educadores de tecnologias educacionais somavam-se a professores especialistas e polivalentes para pensar o uso das tecnologias em contextos de aprendizagens curriculares sempre ocorreram. Mas aqui, podemos dizer que houve uma adaptação de nossas práticas para abordar questões que permeiam as relações sociais durante a pandemia, e isso foi um importante instrumento de contorno para reflexão crítica. 

Sabemos que não somente os alunos lidaram com a saturação das telas e das interações mediadas por elas, mas toda a comunidade escolar e não escolar também e por isso, outro ponto que entendemos ser importante valer-se na configuração das escolas no modo remoto é a escuta. Escuta atenta e ativa entre pares para pensar caminhos e traçar as rotas que seguiremos, até que sejam possíveis outros modos de ser e estar na escola. 

Apesar de todos os desafios que vivemos, tivemos ganhos como educadores que puderam explorar novos espaços, construir e manter os laços afetivos com alunos e alunas e construir aprendizagens coletivas, que foram muito além do saber técnico.  Quando falamos de escolas que possuem profissionais de Tecnologias Educacionais, arrisca-se a dizer de uma maior solidificação da área.

Entendemos que demos passos importantes para a compreensão enquanto escola de que em um mundo midiatizado, o saber técnico não é o bastante. Por isso, entendemos também que algo que muda para os educadores de tecnologias educacionais é o convite para revisitar nossas práticas. E quando necessário, incutir em cada uma delas propostas que levem toda comunidade escolar em especial, nossos alunos e alunas a não se relacionarem apenas como consumidores nesse mundo midiatizado, mas também como quem é capaz de produzir e entender os mecanismos de produção desses contextos.

Dessa forma esperamos que toda comunidade escolar possa produzir reflexão crítica e tomada de decisões com consciência diante das mudanças que aconteceram até aqui e das que ainda virão.  

 

Andressa Caprecci  - Licenciada em Educomunicação (ECA-USP), Mestranda em Ciências da Comunicação (PPGCOM-USP) e Educadora de Tecnologias Educacionais.

Elena Mambrini - Graduanda em Educomunicação (ECA-USP)  e Educadora de Tecnologias Educacionais.

 

 


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